Pesquisa revela que os gestores das empresas brasileiras estão despreparados para dar retornos aos funcionários.
A baixa frequência e qualidade da troca de informações entre gestores e profissionais, a respeito das atividades e relacionamentos no dia-a-dia do trabalho é um fator preocupante para o sucesso das organizações.
Muitas empresas de tecnologia têm investido fortemente para desenvolver a prática do Feedback Corporativo como uma ferramenta de motivação e aperfeiçoamento profissional, uma vez que um número crescente destas empresas, consideradas “Empresas Y”, são formadas por jovens profissionais.
Estes jovens exigem feedback desde os processos seletivos, querem feedback de suas atitudes e performance, perguntam constantemente como estão indo, pois descobriram nesta ferramenta um meio de responder suas dúvidas e encontrar soluções rápidas para acelerar seu crescimento na carreira, requisito fundamental para as novas gerações.
Um gestor coach, que lhe mostre a direção para o aperfeiçoamento focado nos seus objetivos, é o desejo de muitos jovens talentos das gerações Y e Z, que possuem pouca experiência, mas muita energia, motivação e vontade de aprender.
Constatou-se que aqueles considerados “geração Y”, com menos de 30 anos, estão menos preparados quanto as habilidades exigidas para um feedback efetivo, do que os líderes de 31 a 45 anos ou com mais de 45. Estes jovens tem mais facilidade de dar feedback, porém o fazem de maneira mais impulsiva e pouco estruturada.
O Feedback Corporativo foi o termo encontrado por mim para melhor definir a prática que visa a troca de feedback entre todos os níveis de uma organização, permeados sob o efeito cascata, desde os níveis diretivos até os operacionais.
Estudos que realizei com gestores em empresas de atuação nacional, revelaram que a prática correta da técnica do Feedback Corporativo é uma excelente ferramenta de retenção e desenvolvimento de talentos nas organizações, acelera o crescimento na carreira e desenvolve mais rapidamente os profissionais em suas funções.
Entre os executivos pesquisados, 97% afirmam que todos os profissionais precisam de feedback para serem produtivos e acreditam que numa empresa onde os profissionais praticam com frequência o feedback, a produtividade e o comprometimento nos relacionamentos é maior.
Nesse contexto do Feedback, criei duas terminologias para identificar os papéis de cada um desses profissionais na utilização da ferramenta:
– Feeder (do inglês, alimentador) – quem dá o feedback e influencia no comportamento do profissional.
– Taker (do inglês, recebedor) – quem recebe o feedback do gestor e capta as informações.
Segundo resultado da pesquisa, os executivos entrevistados afirmam que a prática do Feedback Corporativo:
– Corrige erros e diminui o retrabalho.
– Analisa desempenho e a equipe visualiza novos rumos para crescer.
– Diminui as fofocas e a ‘rádio peão’, uma vez que esclarece os mal-entendidos.
– Favorece a reflexão e estimula a análise frequente das situações, o aprendizado individual, a percepção dos pontos fortes e das oportunidades de melhorias no desempenho, proporcionando o autodesenvolvimento.
– Ajuda a comunicação no setor.
O sucesso ou fracasso do feedback está diretamente relacionado com a forma de como este é dado.
Cabe ao feeder (profissional que vai dar o retorno) que o faça de forma que o taker o reconheça como uma prática que pode contribuir para a melhoria de seu desempenho. Competências específicas para o sucesso da técnica precisam ser desenvolvidas pelos líderes e profissionais que a praticam.
Basta pesquisar na seção de administração e negócios de qualquer livraria para descobrir dezenas de títulos que tem como objetivo fazer com que os funcionários trabalhem de maneira mais eficiente. Mesmo assim, muitos gestores já perceberam que podem implantar ferramentas eficazes que estão disponíveis a um custo baixo, com resultados garantidos.
* Simoni Missel é mestre em psicologia, diretora da Missel Capacitação Empresarial, professora da Pós-Graduação da ESPM.
Fonte: Baguete